
Acabei de voltar de uma viagem pelo leste europeu. Uma das coisas boas em morar por aqui é a facilidade de viajar. Poucas horas distantes uns dos outros, dezenas de países, culturas e línguas completamente diferentes.
Mesmo com tantas disparidades entre essas nações, todo mundo tem a mesma pergunta na ponta da língua quando descobrem de onde eu vim.
- Brasileiro? Então você conhece o Ronaldinho?
É claro que eu não conheço o Ronaldinho. Quer dizer, conheço como todo mundo, pela TV. Mas nunca o vi pessoalmente.
Do guarda da fronteira ao caixa do banco, não paravam de me perguntar se eu era amigo do craque. Eu não sei o que se passa na cabeça dessas pessoas, mas acho que elas não têm bem a noção do tamanho do Brasil. Talvez achem que se resume a uma batucada na praia de Copacabana, com todo mundo de roupa de banho, debaixo de um sol de rachar.
Em Bratislava, capital da Eslováquia, a mesma coisa. Até na hora de comer.
- Um kebab, prosím.
- Um kebab pro meu amigo inglês ali.
- Não, não. Sou brasileiro.
- Brasileiro? Então você conhece o Ronaldinho?
Eu não aguentava mais.
- Conheço sim. Amigão meu. A gente já jogou bola em Copacabana.
O atendente congelou. Virou o rosto com a boca semi-aberta, quase babando, e imediatamente deixou de lado o que estava fazendo.
- Você tá brincando...
- Não tô não. É sério. O cara é brother. Aí fiz aquele sinal que o Ronaldinho faz quando marca um gol, com o polegar e o mindinho estendidos, enquanto sacode a mão. O sujeito fez também.
- Você jogou bola com ele?
Naquela hora eu podia dizer que éramos gêmeos, que ele acreditaria.
- A gente começou juntos.
- E por que você parou?
- Contusão feia. Apontei pro joelho.
- Chato isso.
- Agora ele mora longe, mas a gente se fala sempre.
Exultante, o atendente me entregou o kebab, super caprichado. Agradeci.
- D'akujem. A propósito, qual o seu nome?
- Dominik.
- Dominik, quando eu falar com o Ronaldinho de novo, vou dizer que você mandou um abraço. Ele vai gostar de saber que tem um fã na Eslováquia.
- D'akujem. Nos despedimos fazendo novamente o sinal do Ronaldinho.
Bom, é claro que eu não tenho como cumprir essa promessa. E na verdade nem importa tanto, já que o Dominik nunca vai saber. Mas se entre os leitores desse blog tiver alguém que já jogou bola com o Ronaldinho em Copacabana, diga que o Dominik, da Eslováquia, mandou um abraço. E aproveita pra mandar um meu também.


