Jean Novion, francês no nome, argentino na nacionalidade e brasileiro no local de nascimento, visitou o Louvre em 1996, antes que O Código da Vinci transformasse o célebre museu em filial da Disneylândia e a Mona Lisa em uma espécie de "New Mickey". Não era o frenesi que é hoje, mas milhares de pessoas já se acotovelavam diariamente em frente ao quadro, muito mais para tirar fotos dele do que para realmente observá-lo. Isso apesar de uma placa em letras garrafais prevenir em diversas línguas que "é proibido fotografar".Mas vai tentar controlar 200 japoneses e seus aparelhos.
Pois bem, Jean seguiu as indicações e chegou, junto com a delegação asiática, à pintura mais famosa do mundo. Estranhou o tamanho.
- É aquela titica ali?
Verdadeiros samurais modernos, munidos de máquinas fotográficas ao invés de espadas, os japoneses não se importaram com as dimensões da obra e nem com o aviso, e saíram clicando em uma velocidade digna de Guiness. Do livro dos recordes, claro, não da cerveja.
Só que a Mona Lisa é o único quadro do Louvre com um guarda de plantão ao lado. Um carinha pago para dar esporro, que fica lá o dia inteiro. E ao ver metade de Tóquio dentro da sala, ele tratou de iniciar uma sessão de bronca multilíngüe.
- Pas de photos! No photos! Sem fotos! いいえ写真!
Gesto imediato, os japoneses viraram-se todos para o sujeito e, de forma sincronizada, dispararam centenas de flashes em sua direção. Aproveitando o momento de cegueira do rapaz, voltaram-se novamente para La Gioconda e bateram mais trocentas fotos. Satisfeitos, viraram-se e foram embora, com aquele sorriso Made in Japan.
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Ronald Walker, ex-punk, nascido na Inglaterra, quase trinta anos de Brasil, aproveitou uma viagem à França e deu uma passada no Louvre. Chegando à sala onde a Mona Lisa repousa, ou tenta repousar, ficou de costas para a obra.
- Não vou olhar.
- Tá doido?
- Não vou.
- Por quê?
- Quero ser o primeiro a vir aqui e não ver o quadro.
- É a Mona Lisa, tem que ver.
- Tem que ver por quê?
- Porque tem. Saiu em livro.
- Não li.
- E em filme.
- O unico cinema verdadeiro é o turco, legendado em aramaico.
- Tá em milhares de camisetas.
- Só uso camiseta do Sex Pistols, de preferência com uns dois ou três furos.
- Tem música que fala dela.
- Se os Ramones não gravaram, não presta.
- Você é chato, hein? Vamos nessa.
- Peraí, peraí. Vamos fazer o seguinte: eu vou olhar de relance, mas você não conta pra ninguém, viu?
- Combinado! Não abro o bico.
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Asdrúbal Inocêncio, cearense há 12 gerações, também conheceu a pintura de Da Vinci.
- Ô muié feia da peste, diabo!


