Em 2155, pai e filho passeiam pelas margens do rio Sunny, antes chamado Sena.
- Logo ali ficava a torre Eiffel, meu filho. Um dos símbolos da antiga França.
- Nunca ouvi falar.
- Era enorme.
- Servia pra quê?
- Não se sabe bem. Acho que foi construída para uma exposição.
- E cabia dentro de uma sala de exposição?
- Não ficava em sala nenhuma, filho. Ficava ao ar livre. Era um ponto turístico muito famoso, as pessoas vinham visitá-la. Mas isso foi antes de o McDonalds transformar o lugar num drive thru, que logo depois virou o maior fly thru do mundo.
- Então faz tempo, né?
- Faz sim. Seu avô tem umas fotos holográficas. Você nunca viu?
- Acho que vi. São aquelas em que a vovó está segurando um pão gigante e alongado de hambúrguer?
- Eles chamavam de baguete, e não era pra hambúrguer.
- Se não era pra hambúrguer, era pra quê?
- Ah, meu filho, naquela época os franceses comiam essa baguete com outras coisas, como queijos, patês e frios.
- Quem eram os franceses, pai?
- Eram os habitantes da antiga França. Eles bebiam muito vinho e falavam uma língua estranha, chamada francês.
- Que coisa mais bárbara.
- Nem me diga. Por isso, logo que assumiu o poder, Ronald McDonald II tratou de acabar com os resquícios dessa civilização. Seu primeiro ato foi trocar o hino nacional.
- Eu conheço o hino da República das Batatas Francesas, pai. É aquele que começa assim: “dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial...”
- Muito bem, filho. E depois dessa linda introdução ainda tem a segunda parte, que descreve as maravilhas da terra prometida de Mickey, o sábio.
- Sabe, papai, outro dia os professores-andróides falaram do Napolimão.
- É Napoleão, o famoso imperador.
- Os andróides contaram que foi ele quem mandou construir aquele arco que serve de porta de entrada do museu da paz George Bush.
- Isso mesmo. Fico muito contente de ver que você tem aprendido coisas tão importantes na escola.
- Mas pai, tem uma coisa que não entendo. Na escola disseram que essa cidade que a gente mora, New Hollywood of Europe, chamava-se Paris.
- É mesmo.
- É por causa da Paris Hilton, aquela modelo polêmica do século passado?
- Claro que não, filho. Quando Paris Hilton nasceu, a cidade de Paris já existia havia bem mais de 10 anos.
- Outra coisa que me contaram é que os franceses eram super mal humorados.
- Dizem que sim, filho, mas ninguém tem muita certeza. O que se sabe é que o IPF, o Índice Pateta de Felicidade, aumentou bastante desde que Ronald McDonald IV instituiu o Uncle Sam’s Day.
- Eu gosto do Uncle Sam’s Day. É bonito ver todo mundo colocar sapato social, meia, bermuda e boné e depois sair pra fazer hambúrgueres na churrasqueira comunitária da praça da Bastilha.
- É uma data nacional muito importante, filho.
- Pai, essa conversa me deu sede.
- Vamos ao Pizza Hut Notre-Dame. Você toma uma Coca Espacial e eu tomo um café.
- O que é café, pai?
- É a palavra francesa para a nossa bebida mais importante.
- A Kofi Annan?
- Isso mesmo.
- E por que eles a chamavam de café?
- Sei lá, filho. Esses franceses eram muito estranhos.
- Logo ali ficava a torre Eiffel, meu filho. Um dos símbolos da antiga França.
- Nunca ouvi falar.
- Era enorme.
- Servia pra quê?
- Não se sabe bem. Acho que foi construída para uma exposição.
- E cabia dentro de uma sala de exposição?
- Não ficava em sala nenhuma, filho. Ficava ao ar livre. Era um ponto turístico muito famoso, as pessoas vinham visitá-la. Mas isso foi antes de o McDonalds transformar o lugar num drive thru, que logo depois virou o maior fly thru do mundo.
- Então faz tempo, né?
- Faz sim. Seu avô tem umas fotos holográficas. Você nunca viu?
- Acho que vi. São aquelas em que a vovó está segurando um pão gigante e alongado de hambúrguer?
- Eles chamavam de baguete, e não era pra hambúrguer.
- Se não era pra hambúrguer, era pra quê?
- Ah, meu filho, naquela época os franceses comiam essa baguete com outras coisas, como queijos, patês e frios.
- Quem eram os franceses, pai?
- Eram os habitantes da antiga França. Eles bebiam muito vinho e falavam uma língua estranha, chamada francês.
- Que coisa mais bárbara.
- Nem me diga. Por isso, logo que assumiu o poder, Ronald McDonald II tratou de acabar com os resquícios dessa civilização. Seu primeiro ato foi trocar o hino nacional.
- Eu conheço o hino da República das Batatas Francesas, pai. É aquele que começa assim: “dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial...”
- Muito bem, filho. E depois dessa linda introdução ainda tem a segunda parte, que descreve as maravilhas da terra prometida de Mickey, o sábio.
- Sabe, papai, outro dia os professores-andróides falaram do Napolimão.
- É Napoleão, o famoso imperador.
- Os andróides contaram que foi ele quem mandou construir aquele arco que serve de porta de entrada do museu da paz George Bush.
- Isso mesmo. Fico muito contente de ver que você tem aprendido coisas tão importantes na escola.
- Mas pai, tem uma coisa que não entendo. Na escola disseram que essa cidade que a gente mora, New Hollywood of Europe, chamava-se Paris.
- É mesmo.
- É por causa da Paris Hilton, aquela modelo polêmica do século passado?
- Claro que não, filho. Quando Paris Hilton nasceu, a cidade de Paris já existia havia bem mais de 10 anos.
- Outra coisa que me contaram é que os franceses eram super mal humorados.
- Dizem que sim, filho, mas ninguém tem muita certeza. O que se sabe é que o IPF, o Índice Pateta de Felicidade, aumentou bastante desde que Ronald McDonald IV instituiu o Uncle Sam’s Day.
- Eu gosto do Uncle Sam’s Day. É bonito ver todo mundo colocar sapato social, meia, bermuda e boné e depois sair pra fazer hambúrgueres na churrasqueira comunitária da praça da Bastilha.
- É uma data nacional muito importante, filho.
- Pai, essa conversa me deu sede.
- Vamos ao Pizza Hut Notre-Dame. Você toma uma Coca Espacial e eu tomo um café.
- O que é café, pai?
- É a palavra francesa para a nossa bebida mais importante.
- A Kofi Annan?
- Isso mesmo.
- E por que eles a chamavam de café?
- Sei lá, filho. Esses franceses eram muito estranhos.
