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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Carnaval para franceses


Meus 7 leitores franceses e lusófonos de vez em quando bufam reclamam que eu não venho dedicando muitos posts a eles. Pois eis que chegou a hora de corrigir isso, com uma seleção de frases e perguntas úteis para os patrícios de Gainsbourg que decidiram cruzar o Atlântico e encarar o carnaval brasileiro.


. Adorrei sua fantasia de bandido. Essa arma parrece até real. O quê, minha carteira? D’accord, pega, vou entrrar na folia. Ei, volta aqui!

. Desculpe perguntar assim, mas a senhorrita está guardando uma cenourra dentro da calcinha?

. Não, eu não sou brranco, estou fantasiado de fantasma.

. Por acaso não serria falsa essa nota de 40 reais que o senhor me deu de trroco?

. O que é aquela bola amarrela ali no céu? Ah, isso é que é o sol?

. Moço, me dá todas as havaianas da sua loja, por favor.

. Que carne o senhor usou nesse churrasquinho? Filé mignau? C’est délicieux!

. Acho que bebi muitas caipirrinhas. Acordei com aquele gosto de parapluie na boca.

. Entupidanemte, estupivalente, estudipa... Ah, traz uma cerveja frria, por favor.

. 200 reais a canga? E prra mim, que sou brrasileirro?

. Ai, se eu te pegô, ai, ai, ai, se eu te pegô.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Escola de Samba Unidos de Villejuif


Eu sei, o carnaval acabou e agora estamos todos com aquela sensação meio chata de não saber o que fazer enquanto o do ano que vem não chega.

Por isso já comecei a pensar no próximo. E criei o primeiro samba enredo da folia de 2012, da futura Escola de Samba Unidos de Villejuif.

A novidade é que ao invés de homenagear personagens grandiosos e suas trajetórias incríveis, coisa que todo mundo faz o tempo todo, preferi falar de uma figura anônima, sem a menor importância e com uma história totalmente desinteressante.

Quem sabe a moda não pega?


Parábola olfativa em um dia de carnaval aos pés do Arco do Triunfo (ou a epopéia de Anne Bardot rumo à Bavária)

Foi na terra do escargot
Um país ocidental
Que nasceu Anne Bardot (ô ô ô)
Personagem especial

Irmã perdida de Brigitte
A famosa cantora e atriz
Anne sofria com o nariz
E sua eterna rinite

(2x)
Espirra daqui
Espirra de lá
“Mais qu’est-ce-qui se passe?
Mon dieu, ouh la la”

Dona de bela fuça
Avantajada comme il faut
Anne, porém, soluça
Mesmo sendo uma Bardot
Vestiu a carapuça
E a verdade aceitou:
Com esse nariz (esse nariz)
Não dá pra ser feliz

(No farol)
No farol da bela Salvador
De Carlinhos, Caê e Gil
Tô falando agora do Brasil
Pr’agradar o patrocinador

Pobre Anne, espirra sem rapé
Não sente cheiro do queijo e também do acarajé
Pobre Anne, da irmã não chega ao pé
Sem a fama da mais velha, nem bonita ela não é

Aí, num belo dia de sol (ai, de sol)
À beira do Sena, rio histórico, num ato bemol
Anne resolveu sua questão
Pulou num barco, deu um tchauzinho e casou-se com um alemão

(Refrão)
E o que tem o nariz a ver com isso?
Meu Deus, não tenho idéia, eu não quero compromisso

Foi na terra
Foi na terra do escargot...
Leia também
. Marchinhas para um carnaval francês
. Mais marchinhas para um carnaval francês

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mais marchinhas para um carnaval francês


E como um verdadeiro João Kelly, eis que solto a safra 2010 das marchinhas com temáticas francesas, dessa vez uma semana antes do carnaval. Pegue seu chapéu de Napoleão e saia por aí cantarolando a sua melodia preferida.


Me dá uma baguete, oui
Ei, você, Marie
Me dá uma baguete, oui
Me dá uma baguete, oui

Não vai dar?
Não vai dar, não?
"Comam brioche se não tem mais pão"
Eu vou gritar até o rei cair
Me dá, mon gars, me dá, oi
Me dá uma baguete, oui


Sassarkozando
Sa-sassarkozando
O presidente tá andando no arame
Sa-sassarkozando
Desagrada o padeiro e a madame
O guarda na porta do Élysée
Veut le tuer*
Sassarkozando

Com o tal de Sarkozy
O francês não está contente
Pra mudar essa imagem:
Carla Bruni presidente!

(*quer lhe matar
)


O teu biquinho não nega
O teu biquinho não nega, francesa
Porque és francesa, uh la la
Fazer biquinho não é mole, francesa
A minha boca vai entortar

Tens um sabor
De camembert
Tens Zidane, e nós, Pelé
Francesa, francesinha, ma chérie
Te faço um filho, que o biquinho eu desisti


Abre alas
Ô abre alas, que eu quero parar
Ô abre alas, que eu quero parar
Tô numa greve, não vou trabalhar
Mas amanhã volto pra protestar

Ô abre alas, que eu quero parar
Ô abre alas, que eu quero parar
Hoje o metrô não vai mais funcionar
Voltar pra casa, só se caminhar


Sacabeças (saca-rolhas)
Pescoços vão rolar
Da realeza eu não quero ver sobrar
E vou passar no saca, saca, sacabeça
Eu quero é mais barbarizar

E se o Robespierre prender o rei
E uma boa lição quiser lhe dar
Eu pego o saca, saca, sacabeça
Tô numas de guilhotinar


Máscara negra
Quanto frio, ó quanta alergia
Os termômetros já foram ao chão
O arlequim ficou febril e está tossindo a colombina
No meio da estação
Leia também as histórias em quadrinhos de Belle & Chico. Em www.bellechico.com.br

sexta-feira, 6 de março de 2009

Marchinhas para um carnaval francês

Você sabia que o carnaval como conhecemos hoje no Brasil é inspirado em um modelo surgido em... Paris?

Mais ilógico do que isso, só mesmo o cálculo do dia em que começa essa festa. Pra mim, tão complexo quanto ciência de lançamento de foguetes. Se não me engano, a data é fixada no momento em que o Rei Momo come 36 acarajés de uma só sentada. Ou será que é quando consegue digerir? Bem, não importa. Eu nunca vou entender mesmo.

Porém, depois de descobrir isso, peguei-me imaginando: e se as famosas marchinhas que animam nosso carnaval tivessem sido escritas na França, como elas seriam?

Eu tenho alguns palpites.


Cabeleirra do Louis

Olha a cabeleirra do Louis
Serrá que ele ri?
Serrá que ele ri?

Serrá que ele ri da nobrreza?
Serrá que ri do camponês?
Só a Revolução Frrancesa
Prra dar um jeito nesse rei

Corta a cabeça dele!
Corta a cabeça dele!


É de fazer chorrar

É de fazer chorrar
Quando o dia amanhece
E tá um frrio de rachar
Ó, que inverno ingrrato
Chega tão deprressa
E demorra a passar
Quem é de fato um bom parrisiense
Já pertence
A toda essa geleirra
Porrém quem veio de um país que é quente
Não fica, não, contente
Em se sentir na geladeirra


Yes, nós temos baguetes

Yes, nós temos baguetes
Baguetes prra todo frreguês
Baguete normal, baguete integrral
Só não temos o pão frrancês


Edith

Se você falasse pouco
Ô ô ô ô Edith
Nos poupava do sufoco
Ô ô ô ô Edith

Um encontrro na prraça
Ou no hall do elevador
É tudo o que basta
Prra causar um atrrasô
- "Se tinha um comprromisso
Cancele, não hesite"
Ô ô ô ô Edith


Mamãe eu querro

Mamãe eu querro, mamãe eu querro
Eu querro manifestar
Querro um comício, ou passeata
Querro um motivo prra poder prrotestar

Dors mon petit, dorme meu rapaz
Pega a mamadeirra e não esquece do cartaz
Eu tenho um slogan que vai arrasar
"Frrancês que é frrancês adorra reivindicar"


Allah-lá-ô

Allah-lá-ô-ô-ô-ô
Mas que frriô-ô-ô-ô
Atrravessando os bulevarres de Parris
O vento estava frrio e congelou o meu narriz