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sexta-feira, 16 de março de 2012

Suco de goiaba


A gastronomia francesa, a culinária mexicana e o pão de mel croata (juro!) já estão lá. E agora eu começo a campanha para que o suco de goiaba com leite e o sanduíche de atum com ricota da Galeria dos Estados de Brasília também façam parte do patrimônio imaterial mundial tombado pela Unesco. Mas antes de seguir a minha defesa, queria só dizer que dar um título imaterial a algo tão densamente material quanto a comida mexicana é uma incoerência. Pronto, falei, agora vamos em frente.

O suco de goiaba com leite e o sanduíche de atum com ricota da Galeria dos Estados são como Pelé e Garrincha, como Lennon e Yoko, como Ana Maria Braga e o Louro José. Existem sozinhos, mas funcionam melhor juntos (se bem que no caso de Lennon e Yoko isso é contestável, ao menos musicalmente).

Não, a dupla alimentar não usa produtos do cerrado e muito menos faz parte dos pratos típicos da região. Se fossem esses os quesitos mais importantes, o arroz com pequi certamente chegaria na frente. Pensando bem, o arroz com pequi chegaria em segundo, atrás do próprio cheiro.

Então por que elevá-la à categoria de contribuição brasiliense para o patrimônio imaterial da humanidade? Simples. Porque eu gosto. E se eu não posso sugerir aqui o que eu quero como patrimônio imaterial da humanidade então não vou poder sugerir em nenhum outro lugar.

A primeira vez que provei o suco de goiaba com leite e o sanduíche de atum com ricota da Galeria dos Estados de Brasília eu tinha 15 anos. Fiquei tão impactado que decidi me tornar uma espécie de guardião do lanche, cargo que cumpri com certa regularidade e gula até ir embora da capital, em 2005.

Gastei ali grande parte do meu salário de menor auxiliar do Banco do Brasil. E, principalmente, grande parte do tempo que deveria dedicar à construção de um país melhor, para desespero do meu chefe Domingos. Desespero que aumentava muito quando eu voltava sem lanche para ele.

Depois de eras, ontem retornei ao lugar para conferir se a lanchonete continuava por lá e para me certificar que a qualidade não havia mudado. Aliviado, vi que tudo estava certo, exatamente como eu havia deixado, 7 anos atrás.

O quê? Todo mundo tem uma missão na vida, não é mesmo?

Caros amigos, como eu já havia dito, esse blog segue até fins de março, quando completa 5 anos. Depois ele para de ser atualizado. No entanto, não vou abandonar a vida de blogueiro. Começo um outro projeto, completamente diferente, assim que o Chéri disser seus últimos uh la las.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Um olhar sobre a cidade

Entro no carro e me pergunto se ainda sei dirigir um, antes de virar a chave. Já tem quatro anos que meu contato com automóveis tornou-se esporádico e acho isso um ponto muito positivo no meu novo estilo de vida. Gesto ainda automático, encaixo o som antes da ré, procuro a minha rádio preferida e saio em ritmo lento. Às dez da noite as ruas vazias convidam a uma volta sem pressa.

Os monumentos são valorizados pela iluminação. A imensa torre parece ainda mais majestosa em sua larga esplanada. A quantidade de turistas é bem menor do que durante o dia, mas um ou outro ainda flanam por ali. À noite, as subidas não são permitidas, mas deveriam ser, pois revelariam ângulos pouco conhecidos dessa cidade praticamente plana.

Um pouco mais adiante, passo pela famosa catedral, marco em seu estilo arquitetônico. Paro e admiro suas estátuas, que parecem vigiar quem por ali passa, principalmente a essa hora. Não muito longe dali é possível observar o belo museu, localizado em frente à grande pirâmide.

Continuando o trajeto, atravesso uma das pontes, batizada em homenagem a um militar de alta patente, que comandou seu país com mão de ferro. Sob ela as águas estão calmas. Os barcos que costumam passar por ali agora estão recolhidos, esperando o dia chegar.

Finalmente paro em frente a uma das obras mais intrigantes dessa cidade, um grande edifício com sua cúpula de concreto virada para baixo, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Desligo o rádio e aprecio.

Brasília e Paris. Tão dessemelhantes. Tão parecidas. Basta saber olhar.