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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Bigodeado

Josivaldo foi passar férias em Paris, e voltou ostentando um fino bigode, daqueles com as extremidades apontando para cima, sabe?

- Bigode, Josivaldo?
- Dá um ar francês, Filomena, tipo Napoleão.
- Napoleão não tinha bigode.
- Não?
- Não.

- Ué, ele não tinha alguma coisa marcante? Bigode, aparelho nos dentes
, mullets?
- Tinha, mas era a mão dele. Que ficava sempre dentro da camisa.

- Droga, como eu posso ter me confundido?
- É o que me pergunto.

- Tenho certeza de que vi na tevê um francês conhecido com um bigode igual ao meu. Alain Prost, acho.
- A cara do Prost é tomada pelo nariz mastodôntico, e não por pêlos.
- Jacques Chirac?
- Careca, Josivaldo.
- Le Corbusier?
- Tinha óculos redondos.
- Piaf?
- Era
Edith Piaf. E, por acaso, era mulher.
- E não tinha bigode?
- A não ser que trabalhasse como mulher barbada, o que não era bem o caso.

- Lembrei, Filomena! Eu copiei daquele
famoso pintor francês, o Salvador Dali.
- Josivaldo, o Dali era espanhol.
- Não era francês de forma alguma?
- Era completamente espanhol, desses nascidos na Espanha. Apesar de que se achava o máximo, como um bom francês.

- Diacho.
- Josivaldo, se eu fosse você eu raspava esse bando de pêlos aí.
- E demorou tanto pra crescer... Ainda bem que me resta a boina.
- Boina?
- É, a que eu comprei na França.
- Hã?
- Igual à daquele revolucionário parisiense.
- Qual?
- O Chê.
- Ô, Josivaldo...