
I.
- Tá mexendo! Põe a mão.
- Aqui?
- Não, do outro lado.
- Aqui?
- Agora é no outro.
- Aqui?
- Voltou pro de antes.
- Aqui?
- Parece que ele parou...
- Quietou de vez?
- Quietou.
- Bom, vou pra sala. Chama quando recomeçar.
- Volta, volta. Põe a mão.
- Aqui?
- Ih, parou de novo.
II.
- Olha a barriga.
- Tá mexendo.
- Sobe e desce, treme tudo.
- Verdadeiro barrimoto.
- Talvez tenha uma festa lá dentro.
- Legal. Vou contribuir com a trilha sonora.
- Comment?
- Cantar um pouquinho perto da sua barriga.
- Tem certeza?
- Aaaaatirei o pau no gaaaato-to.
- Ele parou de mexer.
- Deve ser um protesto contra os maus tratos aos animais.
- Ou contra os maus cantores...
III.
- Põe a mão.
- Onde?
- Aí mesmo.
- Não vai machucá-lo?
- Vai nada, põe.
- Eita...
- Sentiu?
- Senti. Baita chute.
- Forte, né?
- Chutaço. Quando for grande, vai jogar no Flamengo.
- E se for menina?
- Pode jogar no time feminino, ué.
- Mas pode também fazer outra coisa.
- Com um chute assim, seria um desperdício.
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Ps: o termo barrimotos, terremotos na barriga, foi criado pelos meus pais, provavelmente quando eu sacudia no ventre da minha mãe.
