Mudar de país significa mudar de hábitos, muitas vezes sem a gente se dar conta. Fiquei meio chocado quando me peguei comendo um croque-monsieur, nosso singelo e básico misto-quente, de garfo e faca. E o pior: como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Aí percebi que tenho soltado impunemente várias palavras e frases que aqui fazem todo sentido, mas no Brasil soariam meio esquisitas. Fiz uma lista de algumas delas.
. Hoje nem tá tão frio assim. (Ao sair de casa com apenas 2 casacos, ao invés dos 3 ou 4 habituais)
. 35 metros quadrados? Você vive numa mansão? (Espantado com o tamanho da casa do amigo felizardo, que mora em um quarto e sala)
. Hoje vai ter um aperô lá em casa. (Convidando para um aperitivo, que é um jantar sem ser um jantar)
. Garçom, esse vinho está bouchonné. (Eu não sabia que vinho estragava, confesso. Agora "bouchonné" é uma palavra do dia-a-dia, tipo leite).
. Tem um bar baratinho lá perto de casa. O chope só custa o equivalente a 8 reais.
. Não, de boi mesmo. (Respondendo ao açougueiro, que pergunta se eu quero carne moída de cavalo)
. Amanhã vai ter um aperô na casa da Léa.
. É fácil: você pega a 8, troca pela 6 e depois pela 13. Ou então pega a 2, a 11 e a 4. (Tem 14 linhas e 386 estações de metrô em Paris, mas todo mundo conhece a melhor rota para cada destino. Ou diz que conhece.)
. Buf! (Quando acha ruim, o parisiense bufa)
. Merde! (Quando acha ruim, o parisiense diz "merde")
. Putain! (Quando acha ruim, o parisiense diz "putain")
. Génial! (Quando não acha ruim, o parisiense acha tudo "génial")
. Sábado tem um aperô na casa do Jacques.
. Eu prefiro na manteiga. E você? (Conversando com um amigo sobre como ele gostava de comer escargot)
. É português. (Só pra lembrar que não falamos brasileiro)
. O que é aquele objeto estranho, amarelo, ali no horizonte? (Ao apontar o sol)
. Não, uma caipirinha feita com 51 não vale 25 reais.
. Tudo isso por causa do meu pequeno atraso de 2 horas?
. A Marie perguntou se a gente está livre na 3a feira. Ela quer fazer um aperô.
Há 3 meses


