sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Para delírio das gerais

Amigos amantes do esporte (e amigas amantes dos olhos do Chico Buarque), voltei esta semana à famosa pelada relatada na semana anterior. Sei que a construção dessa frase ficou um pouco confusa, algo como "não perca o Jornal Hoje amanhã", mas o fato é que fui novamente bater uma bola com o Paristeama. Na verdade, contra o Paristeama.

Apesar de ainda me faltarem apetrechos como chuteira, caneleira, meião e talento, não refuguei o segundo chamado. Afinal, o recém-criado time, que já tem até hino, brasão e uniforme, precisa treinar. Ou arrumar um outro motivo para a cerveja de depois. Não chegará a Tóquio, é verdade, mas a proximidade com a torre Eiffel já nos é suficiente. Reparem que ao usar o pronome oblíquo "nos", incluo-me de maneira sorrateira na trupe. É a história do "se colar, colou".

Já na chegada, era impossível não reparar que o quórum havia aumentado de forma significativa de uma semana para a outra, tanto no número de jogadores quanto no de torcedores. De torcedoras, pra ser mais justo. Todas devidamente munidas de máquinas fotográficas. Não sei como descobriram o local do jogo, mas não era difícil adivinhar o motivo que as levou lá.

Impassível em relação ao público, 100% a favor da equipe que seria minha adversária, como um Coalhada moderno comecei o aquecimento com um pique no lugar. Um só, pra não me cansar muito antes do embate. Chutei ainda umas duas ou três bolas, mas achei de bom tom parar quando uma delas pegou uma direção completamente oposta à minha intenção e foi parar no meio da rua. Era melhor guardar meu famoso e inimitável chute com defeito, também conhecido como "perna seca", para o jogo.

Começada a peleja, os times se estudavam reciprocamente. Segundos depois, revelando apurado senso de percepção, um dos companheiros define nossa tática: "chuta a bola pra frente que eu vou me enfiar na banheira". Tá ok. Se o Paristeama mantém a invencibilidade em parte graças à habilidade do artilheiro Márcio Jacuzzi, ou à falta da mesma na nossa zaga, não temos porque nos intimidar. Chutão pra onde o nariz apontar ao menos afasta o perigo da área. Se bem que sempre há o risco de o nariz estar virado para nosso próprio gol, digo isso por experiência própria.

A partida seguia morna, até que ali pelos 15 minutos a bola sobrou pra mim. Saí num pique tresloucado, não sem antes me assegurar de que ia na direção correta. Agora eu arrebento, pensei. E arrebentei mesmo. A virilha. Com uma baita dor, precisei abandonar a arena, instalando-me perto da torcida feminina.

Durante um tempo as atenções voltaram-se para mim. Machucou?, perguntaram. Não, respondi, dando uma de durão. Mas aí alguém passou a bola pro Chico Buarque, uma dúzia de meninas gritou "ai", e meus 15 segundos de glória acabaram-se.

Das gerais, acompanhei o massacre: 6 x 2 pro Paristeama. Cinco gols de Márcio Jacuzzi e um do Chico, de calcanhar. E foi só acabar o jogo para ter início a invasão do campo. Logo formou-se uma fila para tirar fotos com o ídolo. Para minha surpresa, uma das meninas acenou pra mim, olhando pelo visor da câmera.

- Ei, você.
- Eu?
- Sim, você mesmo.
- Pois não? Quer uma foto minha, pensei. Dessa vez ele vai ter que dividir os holofotes.
- Dá pra sair da frente, pra eu poder enquadrar melhor o Chico?

Leia também "Para estufar esse filó" - Primeiro texto deste blog sobre o Paristeama

8 comentários:

Jú Fuscaldi Rebouças disse...

Ah, eu ia querer tirar uma foto com você. Depois de tirar trezentas com o Chico, óbvio. rs

Ana Bersani disse...

Oi Daniel,
que coisa engraçada! eu era uma das meninas que estava na 'geral' com uma camera na mão...
li o seu blog algumas vezes antes de me mudar para Paris, mas não poderia imaginar que vc era um dos jogadores daquela partida magnifique. rs
mto legal ler este post :)

Bia Chizzolini disse...

Olá Daniel,

conheci seu blog pela Ana, do comentário acima, que mora comigo. Eu também estava na geral e posso te garantir que bati muita fotos!! rsrs
me diverti muito com suas postagens! você escreve muito bem, parabéns.

se quiser dar uma olhada no meu relato fique à vontade:
www.ultimamodaemparis.blogspot.com

abraços,

Bianca!

Mami disse...

Oi Coalhada, desde pequeno você gosta de fazer "pique no lugar", lembra? Se Mami estivesse lá no campo, com certeza a maioria das fotos seriam suas.
Quando é que as peladas tiram férias? Porque estou ficando preocupada, primeiro os pés, depois a virilha... Vê se te cuida Coalhada!!!
Um beijo, Mami

Rita Marzolli disse...

Que sonho encontrar o Chico assim. E ainda mais jogar futebol com ele. Contada por você, então, a história torna-se mesmo inesquecível!

Parabéns pelo blog, pelo texto e pelo jogo.

Anônimo disse...

Oi, Daniel!
Já tinha um tempinho que eu não passava por aqui, mas voltei hoje pra restabelecer de vez o hábito da leitura semanal.
Duas coisas: Coisa número 1: muito divertidos os dois textos sobre a pelada - e continuariam divertidos ainda que se dispensasse o Chico Buarque do papel de coadjuvante!
Coisa número 2) você já teve as caras de perguntar pro próprio se ele lê o seu blog? Não que eu tenha interesse nisso, mas vai que foi dele aquele comentário do texto de um ano atrás?

Beijo grande e boa sorte nas próximas peladas!

Alécia

Luiz Marcelo disse...

Chico? Quem é Chico?

Fabi.Catarse!! disse...

Tô confusa: o 'Paris te ama' existe?! hehehehe Daniel, você joga mesmo uma pelada com o Chico????????????!!!!!!!!