sexta-feira, 18 de março de 2011

Une pluie de pensées


Adoro caminhar pelos bulevares de Paris, sem rumo, fazendo uma pausa para tomar calmamente um café e bisbilhotar as histórias compartilhadas pelos desconhecidos que dividem o balcão comigo.

Adoro entrar em uma brasserie e pedir um prato que nunca comi antes, mesmo que seja de escargots, acompanhado de uma taça de vinho ou de uma Leffe, que infelizmente nunca será estupidamente gelada porque na França não existe o conceito do estupidamente gelado.

Adoro esquecer que a torre Eiffel existe, pois moro longe dela, e de repente virar uma esquina e vê-la aparecer no horizonte, mostrando-se para mim como se fosse a primeira vez.

Adoro levar os amigos que me visitam para tomarem sorvetes Berthillon, provarem macarons Ladurée, comerem steak tartare no Café de l’Industrie e beberem um cahors no Baron Rouge.

Adoro fazer todos os meus deslocamentos em vélib, com iPod no ouvido, de vez em quando tentando um caminho novo ou pegando uma rua que nunca tinha visto, só pra ver onde vai dar.

Adoro escutar os músicos de metrô que entram no vagão, dão um pequeno show e depois passam o chapéu. Em seguida descem, sobem no vagão seguinte e fazem tudo de novo.

Adoro ver chegar a primavera, quando as gramas dos parques ficam tomadas por gente que piquenica, que bate papo, que namora, que leva os filhos para brincar ou que fica apenas lagarteando sob o sol.

Tudo isso faz parte da minha vida em Paris e vou guardar essas lembranças comigo para sempre, não importa onde venha a morar no futuro.

Mas poucos prazeres podem ser comparados ao de chegar na casa dos pais morto de cansaço de uma viagem de muitas horas, deitar na cama que foi minha, no quarto que foi meu, e tirar um cochilo embalado por uma tempestade tropical, deixando a cortina aberta para adormecer vendo a chuva cair.

12 comentários:

Fabiana Nalon disse...

Que surpresa!!estava procurando informações sobre Paris e dei de cara com textos maravilhosos escritos por uma antigo colega de escola.... adorei! Beijos, Fabiana Nalon.

Carol Nogueira disse...

O, bonito... E eu cheia de planos de te ver e conversar comprido essa semana... Volta quando?

Soraya Salomao disse...

Gosto muito do que seu texto me fez sentir. Muito!

Renato disse...

Cariello, apagou o post do Bacalhau?

abs

Sue Ellen disse...

Que texto lindo!!! Amei!

Anônimo disse...

Nao vai dizer que voltou pra terrinha e vai me deixar sem voce nas sextas-feiras francesas! Nao acredito! Espero que esteja em BSB so pra matar as saudades!

Chéri disse...

Fabiana, que legal você por aqui. Quanto tempo, né? Beijos grandes.

Carol, tô aí no começo de abril. Vamos almoçar?

Soraya, que bom que você gostou. Muitos beijos.

Renato, não apaguei não. Tá aqui: http://cheriaparis.blogspot.com/2007/10/morte-do-bacalhau.html

Sue Ellen, obrigado.

Anônimo, tô só de férias. Mas as crônicas continuam.

Beijos e abraços a todos!

Letícia disse...

NOssa..
Que legal.. muito dessas coisas eu já fiz por aqui.. outras, vou tentar fazê-las pra ver como é comigo hehe..
Obrigada pela viagem.... hehe..

Angela disse...

Que texto maravilhoso! Parabéns! Fiquei com mais saudades de Paris! Mas, vamos combinar, Brasília também é tudo de bom, né? Bjs

Noiva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caroline Santos disse...

Maravilhoso!
Essa foi a única palavra que eu consegui achar para o seu blog, especialmente para essa postagem.

Meu nome é Caroline, sou carioca e não falo uma palavra sequer em francês, mas me interesso pela língua (ainda tomo jeito e começo a estudá-la).

Achei todas as postagens muito interessantes! E ri bastante com algumas.
Eu recebo a newsletter do Outras Palavras e foi através desse site que encontrei seu blog.

Um abraço,
Carol

Lu Malheiros disse...

Que lindo! Curta as férias!